Autor: Guilherme Darros

CNBB se manifesta contra privatizações da Dataprev e do Serpro

A campanha Salve Seus Dados e os brasileiros ganharam mais um importante apoio contra as privatizações da Dataprev e do Serpro. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outras entidades ligadas à Igreja Católica assinaram em conjunto uma nota da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) que pede participação da sociedade na luta contra a venda dos dados dos brasileiros para empresas privadas.

Confira a nota na íntegra:

NOTA PÚBLICA – A PRIVATIZAÇÃO DO SERPRO E DATAPREV COLOCA EM RISCO A PROTEÇÃO AOS DADOS DA SOCIEDADE E DOS CIDADÃOS E CIDADÃS

A CBJP e as organizações abaixo identificadas alertam a sociedade brasileira para o perigoso processo de privatização das empresas públicas de tecnologia da informação do governo federal, Serpro e Dataprev, incluídas no Programa Nacional de Desestatização (PND) em janeiro de 2020. Atualmente, o processo de privatização está sob estudo do BNDES para definição do modelo a ser utilizado para desestatização das referidas empresas, com previsão de execução no segundo semestre de 2022, quando essas empresas passariam para gestão de empresas privadas.

Essas duas empresas públicas, ao longo de seus mais de 50 anos de atividades no tratamento de dados, têm garantido a segurança, a qualidade e o sigilo das informações das pessoas físicas, jurídicas e das instituições nacionais. A atuação dessas empresas públicas é direcionada para amplos segmentos da vida nacional, tais como, tributários, fiscais, orçamentários, financeiros, dívida ativa, comércio exterior, administração, agricultura, trânsito, aposentadorias e pensão, entre outros.

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que entrou em vigor 18/09/2020, preconiza que compete ao estado, na condição de controlador, garantir a guarda, a segurança, a privacidade, a integridade, a disponibilidade e a autenticidade das informações prestadas pelos agentes da sociedade ao estado. Esses grandes volumes de dados não devem ser utilizados para a avaliação de comportamentos individuais e coletivos com objetivos não declarados, como por exemplo, a oferta de serviços, de produtos e de vigilância, ou o que é pior, à manipulação de informações com interesses escusos.

As informações sensíveis geradas pelos serviços prestados pelo SERPRO E DATAPREV não podem ser controladas por empresas privadas, nacionais ou estrangeiras, colocando em risco a soberania do país.

Diante desses riscos, a CBJP e as organizações abaixo conclamam as igrejas, o Congresso Nacional e a toda sociedade para participarem ativamente desse debate e se posicionam contra a privatização do Serpro e Dataprev.

Brasília (DF), 28 de outubro de 2021.

Dia do Servidor e da Servidora Pública.

CBJP – Comissão Brasileira Justiça e Paz

Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil

FENASPS – Federação Nacional Sind. Trab. Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social

Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Porto Velho/RO

Pastoral Operária Nacional

CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares

Província Frei Bartolomeu de Las Casas – Frades Dominicanos

Comissão Justiça e Paz “Dom Luciano Mendes” de Candeias do Jamari/RO

Comissão Regional de Justiça e Paz – CRJPMS

Comissão Justiça e Paz “Margarida Alves” – Zona Leste de Porto Velho/RO

Centro de Direitos Humanos de Formoso do Araguaia TO

Pastoral Fé e Política do Regional Sul 1 da CNBB

Pastoral do Turismo no Brasil

AFUSE Sindicato Funcionários da Educação

Comissão de Promoção da Dignidade Humana (CPDH), Arquidiocese de Vitória ES

Observatório Político da CBJP

Conselho de Leigos e Leigas da Arquidiocese de Manaus/AM

CEFEP – Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Camara

Centro de Estudos Bíblicos – CEBI ES

Comissão Justiça e Paz de São Paulo

CNLB na Arquidiocese de Aracaju/SE – CONAL

Comissão Justiça e Paz – Diocese de Macapá/AP

Centro de Estudos Bíblicos – CEBI MA

Pastoral da Terra/ES

CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros

AGEMPU – Associação Nacional dos Agentes de Segurança Institucional do MPU e CNMP

Sindicato Nacional dos Servidores do IPEA – AFIPEA-SINDICAL

Comissão Regional de Justiça e Paz/MS

Núcleo de Políticas Democratização Sociedade, Ciência & Tecnologia NPCTS CEAM-UnB

Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco – APUBH

CSPB – Confederação dos Servidores Públicos do Brasil

Unidos prá Lutar – Tendência Sindical

ANED – Associação Nacional dos Empregados da Dataprev

Seção Sindical dos Docentes do CEFET-MG – SINDCEFET-MG

FENAMP – Federação Nacional dos Servidores dos Ministérios Públicos Estaduais

Movimento de Cursilhos de Cristandade da Arquidiocese de Olinda e Recife.

Catequese com Adultos, São Paulo

Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo

Sindicato dos Auditores Fiscais de Controle Externo do Tribunal de Contas de Santa Catarina

Tenda da Democracia, Florianópolis/SC

Campanha Salve Seus Dados segue se reunindo com parlamentares

Dando continuidade ao trabalho realizado no Congresso Nacional, com o objetivo de barrar as privatizações da DATAPREV e do SERPRO, a Campanha Salve seus Dados se reuniu com assessores e parlamentares para mostrar os riscos que a população brasileira corre caso as empresas sejam privatizadas.

Um dos encontros foi com a assessoria do deputado José Priante (MDB/PA), que entendeu a grave situação e se colocou à disposição da Campanha, o parlamentar apoiou a Frente Parlamentar Mista pela proteção de dados.

A campanha também conversou com a assessoria do deputado Lucas Redecker (PSDB/RS) e com o deputado Vicentinho (PT/SP), o mesmo se colocou à disposição da Campanha, irá levar o assunto ao Plenário e trabalhar dentro do parlamento para não deixar que o processo siga. O parlamentar também apoiou a Frente Parlamentar. Confira vídeo que ele gravou.

Já o deputado Luiz Ovando (PSL/MS), se mostrou surpreso com o ataque do governo em relação a proteção dos dados da população brasileira. Vamos trabalhar para que as privatizações não aconteçam, disse o parlamentar.

A Campanha Salve Seus Dados também se reuniu com a assessoria do senador Eduardo Gomes (MDB/TO), na última quarta-feira (20).

O parlamentar é autor da PEC 17/2019, aprovada pelo Congresso Nacional. A matéria  altera a Constituição Federal incluindo a proteção de dados pessoais entre os direitos e garantias fundamentais, fixando a competência privativa da União para legislar sobre proteção e tratamento de dados pessoais.

De acordo com a assessoria do senador, a proteção de dados  é uma bandeira levantada pelo parlamentar e que o mesmo irá dar apoio nessa luta.

Apesar do cenário conturbado na política brasileira, continuamos lutando.

Junte-se a nós nessa luta!

Uma LIVE para você conhecer os avanços e novidades da campanha Salve Seus Dados.

Um encontro para você saber tudo sobre as ações da nossa companha no Congresso e nas redes sociais. O que foi feito até agora, os próximos passos, informações sobre a PEC 17 e muito mais.

Com a participação de profissionais das empresas que estão ajudando a construir a campanha Salve Seus Dados: Veredas, A Máquina e Estúdio Daniel Brandão.

⏰Anote aí: dia 28/09, às 19h.

Participe e fique por dentro das atividades que estão sendo desenvolvidas por você.

Juntos somos mais fortes!

Privatizações do Serpro e da Dataprev são adiadas e lei pode até impedi-las

Embora os cronogramas dos projetos de desestatização da Dataprev e do Serpro já houvessem sido modificados há menos de três meses, fazendo com que a venda das estatais coincidisse com as próximas eleições presidenciais, o Ministério da Economia mais uma vez os adiou. 

O motivo, ainda que não seja alegado pela pasta, foi a falta de uma justificativa plausível para que o Brasil abrisse mão do controle dos dados pessoais, empresariais e do Estado vendendo a Dataprev e o Serpro. Assim, o BNDES justificou o adiamento afirmando que somente ao final do segundo trimestre de 2022 os estudos técnicos estarão concluídos. 

Outro impacto fundamental para o adiamento das desestatizações foram as manifestações de entidades e órgãos – públicos e privados – apontando a falta de estudos robustos que pudessem ao menos apontar o preço justo da Dataprev e do Serpro. Apesar de as duas empresas terem um valioso patrimônio físico, os dados e informações que elas detêm a guarda não possuem um valor quantificado. 

Além disso, a privatização das empresas fere leis do Código Penal e da Lei Geral de Proteção de Dados, segundo o próprio Ministério Público Federal, que expressou sua posição por meio de uma nota técnica

Esses seguidos adiamentos dos estudos técnicos ratificam os argumentos levantados pela Campanha Salve Seus Dados de que essas privatizações são muito complexas e delicadas para o futuro do País.

Contudo, ainda que as fases de leilões e contrato estejam previstas para ocorrer em 2023, após as eleições presidenciais, a existência de estudos completos já viabilizará a possibilidade de as desestatizações ocorrerem. Profissionais e especialistas que compõem a campanha #SalveSeusDados alertam para a importância de seguir debatendo os riscos que as privatizações da Dataprev e do Serpro representam a todos. 

“Ainda que as empresas tenham anos de serviços de excelência prestados ao País, a falta de conhecimento sobre eles faz com que a população não se mobilize em torno das empresas como faz com o SUS, os Correios ou outras empresas públicas mais conhecidas. É imprescindível seguir expondo a importância estratégica da Dataprev e do Serpro em um mundo cada vez mais digital e online”, explica um dos profissionais que trabalha no Serpro.

No mesmo sentido, um especialista da Dataprev conclui: “O adiamento da privatização da Dataprev e do Serpro cria uma oportunidade para que mais pessoas se atentem ao fato de que as duas empresas públicas serão as principais responsáveis por implementar bases cidadãs e tecnológicas do futuro do Brasil”.   

Este cenário de complexidades, é percebido pelas ausências dos representantes do governo federal nas discussões no Congresso, como ocorrido mais recentemente na Audiência Pública da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, realizada dia 20/08/2021 por meio de requerimentos da deputada Erika Kokay (PT/DF) e Carlos Veras (PT/PE).

Confira aqui o vídeo completo da audiência pública no canal da campanha no Youtube e acompanhe aqui os cronogramas dos estudos de desestatização do Serpro e da Dataprev no hub de projetos do BNDES.

Projeto de Lei busca preservar instituições estratégicas da desestatização

Segundo o deputado federal Carlos Veras (PT/PE) a Dataprev, o Serpro e outras empresas estatais estratégicas para o Estado, não devem ser privatizadas. Principalmente antes de uma oitiva prévia do Poder Legislativo. A partir dessa premissa, o parlamentar pernambucano propôs o PL 309/2020, que busca alterar a Lei nº 9.491, que trata do Programa Nacional de Desestatização. 

A intenção do PL, é acrescentar a Dataprev e o Serpro às empresas públicas e sociedades de economia mista que exercem atividades de competência exclusiva da União, expressas no artigo  3º desta lei.

Conforme a justificativa do PL, a Lei nº 9.491 “não constitui o verdadeiro “cheque em branco” que vem sendo indevidamente utilizado pelo Poder Executivo federal para anunciar a alienação de instituições cujo valor estratégico se revela indiscutível”.

No mesmo sentido, o PL escrito pelo deputado Veras, alega que a Dataprev e o Serpro são fundamentais para que o Estado brasileiro construa e promova as suas prioridades. Em outras palavras, Veras acredita que as duas empresas públicas de tecnologia da informação são fundamentais para o funcionamento do Estado e para a criação e execução de políticas públicas. 

O PL ainda trata sobre o crescente papel da tecnologia na vida dos cidadãos e da União: “A tecnologia constitui, de forma que não mais admite retrocessos, ferramenta indispensável para que o Estado cumpra as funções que lhe foram atribuídas pela sociedade”. 

De acordo com um funcionário da Dataprev, “O projeto apresentado pelo deputado Carlos Veras é extremamente importante tanto para o presente, quanto para o futuro do Brasil. A mesma opinião foi dada por um especialista do Serpro, que também preferiu não se identificar: “Proteger e fomentar as empresas de tecnologia do País, é imprescindível para garantir a soberania nacional e a segurança dos dados de toda a população”. 

*Renata Vilela, especial para a campanha Salve Seus Dados

Abandonado por Bolsonaro, megabanco de dados virou produto valioso na privatização do Serpro, diz Intercept

Por: The Intercept Brasil – Acesse a reportagem original aqui.

A desculpa era “modernizar o estado brasileiro” e “desburocratizar o governo”. Na época, em 2017, parecia uma boa ideia: criar um enorme banco de dados que reunia todos os tipos de informações sobre as pessoas, a um clique de distância, para ajudar gestores públicos a prevenir fraudes e na tomada de decisões. Mas o projeto GovData, criado por Michel Temer e engordado por Bolsonaro e Paulo Guedes com pelo menos 29 bases diferentes de dados – muitas delas ultrassensíveis –, está prestes a cair nas mãos da iniciativa privada.

Lançado pelo Ministério do Planejamento e pelo Serviço Federal de Processamento de Dados, o Serpro, em maio daquele ano, o GovData fazia parte de uma tendência mundial de “governança digital” para melhorar o funcionamento da máquina pública. Sob Bolsonaro, o projeto foi incorporado ao Ministério da Economia, junto ao extinto Ministério do Planejamento, e descontinuado em 2019 como ferramenta de governo. Desde então, ficou sob os cuidados do Serpro.

Hoje, o uso do GovData é nebuloso. Apesar dos poucos detalhes públicos sobre o programa, dá para saber que ele reúne dezenas de bases de dados  diferentes, com vários níveis de complexidade e sensibilidade. Algumas delas são mais administrativas e servem para contextualizar informações, como detalhes sobre o território brasileiro e nomenclaturas de bancos de dados. Mas outras contêm dados extremamente sensíveis sobre a população, especialmente a parcela mais vulnerável que recebe auxílio do governo.

A mais delicada delas é a do Cadastro Único para Programas Sociais, o CadÚnico. Sigilosa e de uso exclusivo de entes federais ou pesquisas, ela tem informações sobre famílias brasileiras em situação de pobreza e extrema pobreza. Por meio dela, é possível saber, por exemplo, se a pessoa recebe ajuda financeira de vizinhos, se tem uma boa relação com a família ou se faz parte de algum movimento social.

A real dimensão do GovData, no entanto, não está somente nas bases individuais que o compõem, mas sim em sua capacidade de cruzar diferentes conjuntos de dados que não foram desenhados para conversar entre si. Com isso, é possível descobrir ainda mais sobre pessoas cadastradas a partir dos chamados data lakes, do inglês lago de dados – aglomerados de bases de dados que passam a ser cruzadas.Como funciona

  • O GovData possui dezenas de bases de dados individuais, atualizadas por outros órgãos públicos.
  • Essas bases de dados alimentam um data lake – um aglomerado de fontes de dados. Imagine um grande lago abastecido por diversas correntes de água.
  • A ferramenta cruza essas informações para gerar painéis customizados para os clientes do Serpro.
  • É também disponibilizada uma API, ou seja, uma ferramenta que permite utilizar os dados em outras aplicações externas.

Nas mãos do governo, esses data lakes podem ser utilizados para fiscalização, combate a fraudes e inteligência para políticas públicas. Mas também para perseguição de grupos e indivíduos que, por exemplo, participam ativamente de movimentos sociais críticos ao governo e recebem benefícios sociais.

Se sob o governo os data lakes podem ser usados para perseguir economicamente um cidadão, nas mãos de uma empresa privada significaria um risco imensurável à privacidade, uma vez que dados sensíveis estariam potencialmente disponíveis para quem pudesse pagar, prejudicando scores de crédito e acesso a serviços, por exemplo.

De política pública a produto

Aideia de reunir o maior número possível de bancos de dados públicos surgiu em 2017, por iniciativa do Ministério do Planejamento. Em sua primeira versão, o GovData reunia informações de 14 bases de dados. A premissa era permitir que integrantes do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação, o Sisp, hospedassem ali suas informações e possibilitassem o cruzamento, a partir de outras bases públicas. A operacionalização do GovData ficou a cargo do Serpro e da DataPrev, a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social, em um contrato de R$ 23,9 milhões.

Já no ano de lançamento, 18 órgãos acessaram a base de dados como “degustação”. Ministério do Trabalho, da Ciência e Tecnologia, das Cidades, Anatel, Controladoria-Geral da União e Presidência da República foram alguns deles.

Em 2019, quando Jair Bolsonaro assumiu, o GovData foi absorvido pelo Ministério da Economia junto com o extinto Ministério do Planejamento. Nesse período, serviu para alimentar consultas a serviços de assistência social e exportação. Também ajudou a abastecer o mercado com dados sobre tecnologia da informação, segundo o próprio Ministério da Economia. E foi usado para “transformação de serviços”, jargão para definir a “simplificação e a oferta de serviços por meio de canais digitais”, disse o governo, sem especificar quais são.

O troca-troca de informações corria sem uma política de privacidade. Em uma resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação, o Ministério da Economia se limitou a dizer que havia três níveis de compartilhamento – amplos, restritos e sigilosos – e que os dados não eram anonimizados, porque o acesso seria feito só por “órgãos autorizados pelo gestor do dado”.

No fim de 2019, o Ministério da Economia garantiu que o GovData havia sido criado para uso interno do governo federal e que, por isso, só servidores desses órgãos poderiam ter acesso às informações, de forma restrita e controlada. Até aquele momento, o serviço havia custado aos cofres públicos mais de R$ 4 milhões e não gerava lucro. “O objetivo do projeto não é a geração de receita, mas sim a promoção da análise de dados no Governo Federal, com vistas a subsidiar a tomada de decisão em políticas públicas. Dessa maneira, não há que se falar em receita gerada”, disse o Ministério da Economia, em resposta a outro pedido de informações.

Mas, depois disso, as coisas tomaram um rumo incerto. Em resposta a mais um pedido feito pelo Intercept e pelo Núcleo com base na Lei de Acesso à Informação, o Ministério da Economia disse que o programa foi descontinuado em 2019 “devido à mudança de cenário gerencial e administrativo”.

No final daquele ano, Bolsonaro criou, por meio de um decreto, o Cadastro Base do Cidadão e o Comitê Central de Governança de Dados, megabases que reuniam mais de 50 diferentes tipos de dados dos cidadãos sob a tutela do Ministério da Economia. “O objetivo é que o Cadastro Base do Cidadão se consolide como a única referência de informações dos cidadãos para o governo”, declarou, na época, Luis Felipe Monteiro, secretário de Governo Digital do Ministério da Economia. O Cadastro Base não tem relação com o GovData.

Mas, abandonado pela pasta de Paulo Guedes, o projeto continuou dentro do Serpro. A empresa pública seguiu com contratos com os ministérios da Economia, do Meio Ambiente e da Infraestrutura – que, segundo o Serviço Federal de Processamento de Dados, utilizam sua solução para pensarem em políticas públicas “baseadas em evidências”. No total, os contratos dos ministérios com o Serpro, assinados em 2020, ultrapassam R$ 850 milhões, segundo o balanço da empresa – sem contar os serviços prestados para a Receita Federal. O GovData corresponde a R$ 3,62 milhões, segundo a assessoria de imprensa da estatal.

A empresa, no entanto, se recusou a responder quanto custou o desenvolvimento da ferramenta e quais os valores pagos pelo acesso à base de dados. Tampouco forneceu detalhes sobre os contratos dos órgãos públicos relacionados ao GovData ou seus preços. “As informações solicitadas encontram-se protegidas por sigilo empresarial e segredo industrial”, disse o Serpro, ao negar as informações. “O Serpro é prestador de serviços que atua em regime concorrencial, valendo-se de métodos de formação de preços próprios das empresas privadas”.

Se como estatal o Serpro é pouco transparente sobre os contratos que envolvem os nossos dados, o futuro pós-privatização é ainda mais nebuloso.

Privatização à espreita

Fundado em 1964, o Serpro presta serviços de tecnologia da informação, como processamento de dados, construção e hospedagem de aplicativos, execução de projetos sob medida e software, principalmente para o governo federal. A Receita Federal, por exemplo, rendeu R$ 1,5 bilhão ao Serpro no ano passado, enquanto a Diretoria de Administração Logística do Ministério da Economia pagou R$500 milhões à estatal.

Os negócios com o governo representam 85% da receita da empresa, mas a fatia do setor privado tem crescido – especialmente com medidas de cortes de gastos da administração pública federal. De 2019 para 2020, a participação de empresas privadas passou de 10% para 14% (R$ 390 milhões) do faturamento líquido, que foi de R$ 2,7 bilhões no ano. O maior cliente privado é o Banco Panamericano.

Apesar dos números positivos, em janeiro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro assinou dois decretos autorizando a inclusão do Serpro e da DataPrev no Programa Nacional de Desestatização, o PND, como parte do cronograma de privatizações, desinvestimentos e liquidações do governo federal.

Por enquanto, o Serpro afirma que o GovData não está disponível para empresas privadas, mas o futuro desse gigantesco banco de dados é uma incógnita. Não há explicações governamentais claras sobre os rumos do produto digital. Os riscos, caso a privatização do Serpro se concretize, são muitos e vão além da privacidade e proteção de dados.

Um dos mais graves é o de ter uma empresa privada que poderá desfrutar de vantagens competitivas, caso seja mantido o acesso do Serpro às bases públicas de dados que o alimentam hoje, como explicou o pesquisador e professor de Direito Econômico da Universidade de São Paulo Diogo Coutinho em artigo para o Data Privacy Brasil, publicado em meados de julho.”Caso as estatais processadoras de dados existentes hoje sejam privatizadas, quem ficaria responsável pelo seu tratamento?”.

O anúncio da inclusão do Serpro e da Dataprev no PND foi recebido com resistência tanto por representantes do Congresso quanto do Tribunal de Contas da União, o TCU. Diversos parlamentares, como a deputada Benedita da Silva, do PT fluminense, e a senadora maranhense Eliziane Gama, do Cidadania, apresentaram projetos de lei para sustar o decreto de Bolsonaro.

No TCU, responsável por fazer recomendações sobre o patrimônio público, o ministro Vital do Rêgo disse que o processo de privatização das duas empresas demanda especial cautela e deve incluir decisão prévia sobre como manter a segurança da informação e governança sobre os dados públicos e privados custodiados por elas. Em acórdão, o ministro mencionou ainda o risco de prejuízo à segurança dos dados, à privacidade dos cidadãos e à segurança do estado.

O alerta também soou dentro das empresas. Servidores das duas instituições, apoiados pela Associação Nacional dos Empregados da Dataprev, criaram a campanha Salve Seus Dados para alertar sobre os riscos ligados à desestatização.

Em seu site, a iniciativa apresenta uma série de argumentos contrários à privatização das empresas, passando pelos riscos à proteção de dados do cidadão até a perpetuação de uma empresa privada na prestação de serviços ao estado, uma vez que a transferência desse volume de dados ao fim da vigência de um contrato não é tarefa simples.

Para funcionários do Serpro, nesse sentido a privatização pode aumentar custos para o estado e ocasionar a suspensão de serviços públicos por falta de pagamento, por exemplo.

O Ministério Público Federal pontuou que há entraves jurídicos já colocados que impediriam a privatização do Serpro e da DataPrev e ressaltou que a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, proíbe que empresas privadas sejam responsáveis pelo tratamento de dados pessoais com finalidade de segurança pública, defesa nacional, segurança do estado ou atividades de investigação e repressão de infrações penais.

A falha na identificação e gestão de riscos é um dos fatores que pode estar atravancando a transformação digital do governo brasileiro, avaliou o TCU no final de julho.

Entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, corresponsável pela execução do PND, anunciou que havia selecionado o consórcio Dados BR, que inclui o escritório de advocacia Machado, Meyer e as consultorias Accenture e BCW, para realizar uma consultoria sobre a desestatização do Serpro e da DataPrev.

De acordo com o anúncio, a primeira fase seria entregue dentro de poucos meses, o que não se concretizou até hoje. Segundo o site ITForum, os leilões, inicialmente previstos pelo governo para o primeiro semestre de 2022, foram adiados para o segundo semestre – mas ainda não há data para que eles aconteçam.

Esta reportagem foi feita em parceria com o Núcleo Jornalismo. É resultado de uma bolsa para investigações sobre tecnoautoritarismo, uma iniciativa da Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa em parceria com o Intercept.

Saiba como foi a audiência pública que debateu privatizações da Dataprev e do Serpro

Resultado da mobilização de todos que fazem a campanha Salve Seus Dados, a audiência pública da Comissão do Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados foi realizada no último dia 20. Especialistas de diversas áreas debateram o processo de desestatização das duas maiores empresas públicas de tecnologia da informação do País.

Realizada a partir de requerimento da deputada Erika Kokay (PT/DF), apoiada pelo deputado Carlos Veras (PT/PE), a audiência teve recorde de público nas plataformas online segundo Kokay. Além disso, houve grande interação com perguntas e comentários de cidadãos e cidadãs pelos canais disponíveis.

A importância do trabalho realizado pela Dataprev e pelo Serpro foi explicitada por funcionários de ambas as empresas como Marco Aurélio Sobrosa, do Serpro e Leo Santucci, da Dataprev, ambos participantes da Campanha Salve Seus Dados.

Além dos funcionários, houve manifestações de Débora Sirotheau, Representante da Federação Nacional dos Empregados em Empresas e Órgãos Públicos e Privados de Processamento de Dados; Fausto Augusto Junior, coordenador do Dieese, Alexandre Assunção e Silva – Procurador da República e Coordenador do Grupo de Trabalho Tecnologias da Informação e Comunicação; além de sindicalistas e representantes de associações.

Apesar de convidados pela deputada Érika Kokay, nenhum representante do governo foi à audiência.

“Estamos falando de um setor estruturante que são os dados do país e das pessoas”, afirmou Erika Kokay

A falta do governo à audiência pública confirma a falta de diálogo e transparência que envolvem as desestatizações. Conforme diversos dos palestrantes citaram, o governo ainda não apresentou justificativas para privatizar a Dataprev e o Serpro. Nesse sentido, Débora Sirotheau afirmou que “As duas empresas têm um papel estratégico, e são essenciais para o funcionamento do estado”, por isso, “Falta um estudo mais aprofundado sobre como o Brasil funcionará sem elas”.

Com um questionamento diferente, porém não menos importante, o procurador Alexandre Assunção e Silva mostrou as inconsistências legais do processo de desestatização. Que ferirá a Lei Geral de Proteção de Dados, a Lei de Segurança Nacional e o código penal.

Ainda por outro ângulo, Fausto Augusto Junior, do Dieese, falou sobre a importância dos dados apurados pela empresa tanto nas pesquisas científicas, quanto na elaboração de políticas públicas para o País.

Dados pessoais, empresariais e de Estado

A preocupação generalizada com a privacidade dos cidadãos foi acompanhada também pela preocupação com dados empresariais e das estruturas de Estado que são asseguradas pelas empresas. A abertura desses dados à iniciativa privada poderia comprometer diversos protocolos de segurança escritos na LGPD.

Por outro lado, a concentração desses dados em uma, ou duas empresas, poderia gerar um monopólio privado, que poderia colocar em xeque o governo brasileiro, ferindo a soberania nacional.

Questões ainda não solucionadas pelo governo ou pelas empresas que fazem parte do consórcio que estuda a desestatização da Dataprev e do Serpro.


Confira a audiência pública na íntegra no Youtube

Acompanhe AO VIVO a audiência pública que vai debater a privatização da Dataprev e do Serpro

O próximo dia 20 de agosto vai ser extremamente importante para a proteção dos dados dos brasileiros e para o futuro das empresas que fazem esse trabalho: Dataprev e Serpro. Por isso, é fundamental a participação de todos preocupados com este tema.

Nesta data (20/8), a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados vai realizar às 14h30, a audiência pública para debater pesquisas e indicadores sobre emprego e renda no Brasil e a privatização da Dataprev e Serpro.

Você pode acompanhar AO VIVO e ajudar divulgando a audiência através do link: https://edemocracia.camara.leg.br/audiencias/sala/2184

Articulada pela Campanha Salve Seus Dados, a audiência vai ser uma oportunidade para que os funcionários apresentem o importante papel exercido pelas duas empresas na manutenção e garantia do sigilo e na segurança de dados estratégicos para o Estado Brasileiro, para empresas e cidadãos em geral, como o sigilo fiscal dos contribuintes, informações do comércio exterior, segurança pública.

Convidados que vão participar da audiência pública

Para audiência, foram convidados:

DIOGO MAC CORD DE FARIA
Secretário Especial da Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia

LÉO SANTUCHI
Presidente da Associação Nacional dos Empregados da Dataprev (Aned)

MARCO AURÉLIO SOBROSA FRIEDL
Representante dos empregados no Conselho de Administração do Serpro

CARLOS ALBERTO VALADARES PEREIRA
Presidente da Federação Nacional dos Empregados em Empresas e Órgãos Públicos e Privados de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares – FENADADOS

VERA GUASSU
Representante da Frente Nacional dos Trabalhadores em Informática – FNI

EDSON SIMÕES CORREIA
Presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Distrito Federal – SINDPD-DF

MAX LENO DE ALMEIDA
Representante do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE

ALEXANDRE ASSUNÇÃO E SILVA
Procurador da República e Coordenador do Grupo de Trabalho Tecnologia da Informação e Comunicação da Câmara de Consumidor e Ordem Econômica do Ministério Público Federal

A audiência pública poderá ser acompanhada na internet: https://edemocracia.camara.leg.br/audiencias/sala/2184

Privatização do Serpro pode configurar crime contra a segurança nacional

Nota Técnica do Grupo de Trabalho Tecnologia da Informação e Comunicação da Câmara de Consumidor e Ordem Econômica do Ministério Público Federal avaliou que há obstáculos legais à privatização do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Entre eles, o risco de ameaça à soberania nacional.

Essa ameaça se daria por dois motivos. O primeiro é a contradição com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que estipula que somente empresas públicas podem tratar dados pessoais relativos à segurança pública. No mesmo sentido, a LGPD dispõe sobre dados relativos à segurança do Estado e à soberania nacional. 

Com a privatização, é possível que esses bancos de dados, que contêm informações sigilosas, fiquem à cargo de empresas estrangeiras, configurando crime contra a segurança nacional. 

O documento destaca que os serviços prestados pelo Serpro, “afetos a imperativos de segurança nacional, são essenciais à manutenção da soberania do Estado, visam garantir a inviolabilidade dos dados governamentais e são de relevante interesse coletivo”.

Nota técnica foi enviada para Ministério, TCU e BNDES

A Nota Técnica foi enviada ao Ministério da Economia, ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao BNDES. Este último, responsável por elaborar o projeto de venda do Serpro.

Segundo profissional do Serpro, “A avaliação do MPF vai ao encontro de muitos dos tópicos abordados na campanha contra a privatização da Dataprev e do Serpro, uma vez que ambas as empresas são encarregadas de dados e sistemas que são essenciais e críticos para a soberania do Brasil”.

O mesmo funcionário ainda ressalta que, atualmente, o Serpro atende os ministérios da Economia e da Justiça e da Segurança Pública, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), além do exército brasileiro e clientes privados.

As informações ficam guardadas em três Centros de Dados, localizados no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. Em cada um dos data centers, há ambientes especialmente equipados para processamento e armazenamento de um grande volume de dados. Além de terem sido projetados para serem extremamente seguros.

*Renata Vilela, especial para a campanha Salve Seus Dados

Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado vai debater privatizações do Serpro e da Dataprev em audiência pública

Mais um importante espaço vai debater os riscos das privatizações do Serpro e do Datarpev. Desta vez, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em reunião semipresencial, realizada nesta terça-feira (3), aprovou o REQ 6/2021, de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS).

O documento requer, nos termos do art. 58, § 2º, II, da Constituição Federal e do art. 93, II, do Regimento Interno do Senado Federal, a realização de audiência pública, com o objetivo de debater os “Riscos de privatização do SERPRO e DATAPREV”, diante do impacto da venda das bases de dados previdenciários.

As Audiências Públicas têm o fim de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas, além da atuação conjunta entre o legislativo e a comunidade/instituições, podendo permitir atuação direta nas decisões políticas. Outra importância é a visibilidade que a audiência pública tem, momento oportuno para os participantes defenderem suas questões de forma ampla.

Quem será convidado:


Leonardo Rolim – Presidente do instituto Nacional do Seguro Social – INSS;
Bruno Bianco – Secretário Especial de Previdência e Trabalho – Ministério da Economia;
Leonardo Santuchi – Presidente da Associação Nacional dos Empregados da Dataprev (Aned);
Marco Aurélio Sobrosa Friedl – representante dos empregados no Conselho de Administração do Serpro;
Representante da Federação Nacional dos Empregados em Empresas e Órgãos Públicos e Privados de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares (Fenadados).
A data da audiência será informada tão logo seja agendada.

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Crise pós-pandemia exigirá empresas de tecnologia públicas e fortes

Nota técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), intitulada “Uma visão panorâmica das empresas estatais federais e possibilidades de atuação no pós-pandemia”, afirma que a expertise e a experiência da Dataprev e do Serpro são fundamentais para o futuro do País.

A nota reforça que, além dos serviços prestados até hoje – que vão desde o pagamento de benefícios do INSS até o cálculo do Imposto de Renda -, as estatais são fundamentais para o “desenvolvimento e gestão de soluções de TI para a oferta crescente de serviços digitais”.

No mesmo sentido, a análise ressalta que as duas empresas são responsáveis pelos sistemas de armazenamento e processamento de dados “da maior importância para o funcionamento da administração pública federal”.

Dataprev e Serpro atendem tanto governos, quanto empresas e cidadãos, com excelência na transformação digital dos serviços do governo federal. As empresas cumprem papel estratégico no Brasil: a manutenção da soberania nacional. Em seus data centers, Dataprev e Serpro tratam dados sigilosos de governo que, segundo a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), devem estar sob domínio estatal e não privado. 

Portanto, as duas companhia não devem ser desestatizadas. Ao contrário, devem receber mais investimentos por parte da União. O estudo do Dieese lista pontos cruciais que justificam a manutenção dessas empresas sob o controle da União.

> Privatização do Serpro pode configurar crime contra a segurança nacional

De acordo com a nota técnica, ao manter as empresas públicas, “evita-se que a privacidade de – potencialmente – toda a população brasileira possa vir a ser exposta a empresas privadas, inclusive multinacionais”.

A análise destaca que, ao não privatizar as duas companhias, “evita-se entregar ao setor privado – especialmente às grandes empresas internacionais de tecnologia da informação – informações estratégicas que permitam não apenas conhecer profundamente os dados privados de cada cidadão ou cidadã brasileiros, como também, através do uso das tecnologias de psicometria e microtargeting (micro segmentação), promover manipulação em larga escala para fins comerciais e, até mesmo, para fins militares, ferindo gravemente a soberania nacional”. 

O Dieese é reconhecido pela confiabilidade de seus dados e pela profundidade de suas pesquisas. Além de dados sobre a economia do país, a organização analisa o preço da cesta básica em 18 capitais mensalmente, e o salário mínimo ideal de acordo com as disposições constitucionais e os preços reais. 

#SalveSeusDados

*Renata Vilela, especial para a campanha Salve Seus Dados