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É por isso que estamos em greve

Ano passado o nosso salário foi corrigido por menos do que a inflação oficial maquiada do governo, enquanto víamos tudo ficando mais caro e o nosso poder de compra se deteriorando.

Mas não é por isso que estamos em greve.

Ano passado o nosso plano de saúde deveria aumentar absurdos 65%, mas a empresa lavou as mãos para a contrapartida dela e, na prática, o nosso plano de saúde aumentou inacreditáveis 100%.

Mas não é por isso que estamos em greve.

Não bastasse, fomos humilhados a pagar uma dívida fake retroativa gigantesca com o plano de saúde em um parcelamento gigantesco ou ter o plano cortado.

Mas não é por isso que estamos em greve.

Ano passado cortaram quase todo o nosso acesso à Internet, incluindo serviços para ouvir música enquanto trabalhamos e acesso aos nossos e-mails pessoais.

Mas não é por isso que estamos em greve.

Semana passada, o Salim Mattar nos acusou a nós todos publicamente de sermos ladrões ao vender os dados da população brasileira, na contínua e insana campanha do governo de colocar a sociedade contra os funcionários públicos, tudo pela falta de argumentos sólidos para defender o Estado mínimo e as privatizações.

Mas não é só por isso que estamos em greve.

A diretoria da empresa pratica assédio moral como quem toma café, seja em declarações por microfone, ações, e-mails, inclusive e-mails com “carta de demissão”, não mostra nenhum conhecimento de gestão pública, nem nos defende perante a opinião pública.

Mas não é por isso que estamos em greve.

A diretoria da empresa diz que só cuida da empresa e que quem cuida das privatizações é o governo. Um jogo cínico que nos coloca em guerra contra um monstro gigante de duas cabeças.

Mas não é por isso que estamos legalmente em greve.

O governo passou o ano inteiro discutindo uma reforma da previdência supercomplexa com regras superbizarras que nem o INSS sabe nos explicar e não nos deu um minuto sequer para alterarmos os sistemas, e já no outro dia a imprensa estava metendo o pau na gente porque os sistemas ainda não estavam alterados.

Mas não é por isso que estamos em greve.

Na primeira semana do ano, a empresa demitiu POR E-MAIL 15% de nós, inclusive demitiu até os gerentes que deveriam fazer as demissões dos colegas. Alguns tiveram que sair fugindo, levando os seus pertences em sacos de lixo.

E É POR ISSO QUE ESTAMOS EM GREVE!

Queremos negociar minimamente essas demissões coletivas, inclusive realocando toda essa força produtiva e esse conhecimento previdenciário acumulado ao longo de décadas para ajudar na fila de 2 milhões de pessoas que aguardam uma resposta do INSS, vulgo governo.

É por isso que estamos em greve.

Estamos gritando para a sociedade perceber a nossa importância e perceber os prejuízos irreversíveis que terá caso o projeto atual avance sem freios.

É por isso que estamos em greve.

Estamos tentando defender uma empresa que a sociedade brasileira construiu com muito esforço, suor, trabalho, conhecimento e investimento ($$$$$$$) ao longo dos últimos 45 anos.

É por isso que estamos em greve.

Estamos tentando evitar que os dados da população brasileira sejam explorados comercialmente por empresários inescrupulosos.

É por isso que estamos em greve.

Se informe.

Se junte a nós!

Paulo de Tarso
Dataprev-CE

Nota de Desagravo

A página Serpro++ publicou uma nota na qual rebate as afirmações feitas pelo Secretário Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar, em entrevista concedida à Rádio Gaúcha. Durante sua fala, além de tentar justificar a privatização de Dataprev e Serpro com explicações que não se sustentam diante de uma análise mais aprofundada, o secretário também acusou os funcionários dessas empresas, dando a entender que eles vendem os dados da população.

Sobre esta última afirmação, André Gianini diz:

A Constituição Federal garante a qualquer cidadão o direito de criticar a atuação das empresas estatais, mas a afirmação do Secretário extrapola esta garantia fundamental e configura crime de calúnia contra os funcionários do SERPRO e da Dataprev. Isto porque não há nenhuma prova ou sequer evidências de que os dados dessas estatais estejam sendo vendidos por seus funcionários, o que configuraria crime.

É inadmissível que um cidadão ocupando tão relevante cargo na Administração Pública não meça suas palavras ao falar de empresas estatais premiadas por eficiência e reconhecidas pelos clientes governamentais. Falando de SERPRO, em 55 anos de existência, nunca houve nenhum vazamento de dados por parte dos seus funcionários. Pelo que conheço, o mesmo se aplica à Dataprev. Há, na verdade, grande interesse privado, para o qual a declaração do Secretário contribui, em desconstruir a sólida imagem dessas empresas para se apoderarem do mercado público de TI.”

O autor ainda desmente outras falas do secretário, como sua afirmação de que estatais não funcionam bem; a sua incorreta comparação de Dataprev e Serpro, tanto em seu papel quanto em relação aos dados que guardam, a instituições financeiras de caráter privado; e a sua ideia de que é mais fácil processar um funcionário da iniciativa privada do que um servidor público.

Para ler a postagem completa, clique aqui.

Nesta terça-feira a greve da Dataprev se expande pelo país. O recado foi dado: não às demissões e à privatização

Conforme divulgado na página da Frente Nacional dos Trabalhadores em Informática (FNI), a greve contra a demissão de 494 trabalhadores da Dataprev, que poderiam ser realocados no INSS para trabalhar nas filas, alcançou todo o país no dia 28/01. Com isso, todas as unidades da empresa, desde as que o governo pretende fechar até as que a diretoria da empresa pretende, num primeiro momento, manter, se encontram paralisadas.

Para ver fotos das mobilizações e ler detalhes sobre a greve, clique aqui.

Relato sobre funcionária na lista de demissões escancara o impacto negativo que os desligamentos terão em projetos da Dataprev

Um dos argumentos utilizados pela diretoria da Dataprev para demitir quase 500 funcionários alocados nas Unidades Regionais espalhadas por diversos estados do país é que as mesmas deixaram de fazer sentido devido ao avanço da tecnologia e à baixa quantidade de atendimentos realizados pelas mesmas. Entretanto, ao longo dos anos, os funcionários dessas Unidades Regionais deixaram de ser focados no atendimento ao INSS e passaram a atuar na construção e manutenção dos sistemas que a Dataprev produz.

Este relato, escrito por membros da Unidade de Desenvolvimento do Ceará sobre uma funcionária alocada na Unidade Regional do Espírito Santo (que a empresa planeja fechar), escancara como a demissão desses empregados afetará a qualidade de sistemas e soluções tecnológicas que são essenciais para o país.

Apesar de ter sido escrito sobre uma funcionária dentre os quase 500 empregados que estão para ser demitidos, este é um relato que facilmente poderia se aplicar aos outros, fato este que destaca não só o valor que esses funcionários têm para a empresa, mas também os imensos impactos que seu desligamento trará para a Dataprev, para o país, e para a qualidade dos serviços públicos prestados à população.

“As atividades desempenhadas pela empregada [nome omitido], hoje integrante do Departamento de Testes e do time do desenvolvimento da Unidade de Desenvolvimento do Ceará (UDCE), são de extrema importância para a garantia da qualidade das entregas dos produtos SIBE-PU e PMF-Perícias e estão relacionadas a:

  • Inspeção dos artefatos de especificação do sistema;
  • Especificação dos casos de teste das funcionalidades desenvolvidas;
  • Geração de massa para os testes;
  • Realização de testes funcionais manuais;
  • Registro de defeitos encontrados;
  • Garantia da eficácia dos defeitos corrigidos.

Para efetuar as atividades citadas, a colaboradora adquiriu conhecimento no uso dos sistemas SIBE-PU e PMF-Pericias e também dos sistemas parceiros que integram com estas soluções como o CNIS, SABI, SUB, dentre outros.

Essa expertise foi adquirida durante os 5 anos de trabalho realizado com zelo e dedicação, tornando a empregada uma referência para o time de desenvolvimento da UDCE e outras equipes que necessitavam de ajuda nas massas e entendimento dos sistemas citados.

Sua experiência na análise das regras e fluxos de negócio foram essenciais para o desenvolvimento dos sistemas.

Ademais, a ausência da colaboradora comprometerá o planejamento atual, na medida que suas atividades deverão ser absorvidas por alguém com menos familiaridade com as mesmas e que deixará de realizar suas atividades atuais ou se dividir entre elas e os testes.

Fica, através desse relato, expressa nossa preocupação com a saída da colaboradora do time de desenvolvimento da UDCE devido ao seu vasto conhecimento adquirido e à ausência de alguém com perfil semelhante para substituir suas atribuições.”

Por que estamos em greve?

O governo começou 2020 com todo o gás!

Salim Mattar nos acusou a nós todos de ladrões publicamente em uma rádio, continuando a estratégica sádica dele e do Paulo Guedes de desmoralizar os funcionários públicos perante à opinião pública.

De forma mais prática, publicaram o decreto autorizando o BNDES a vender a Dataprev.

Internamente, a diretoria, que diz não ter nada a ver com a privatização, executa o PAQ: demitir 500 colegas e fechar 20 unidades da nossa empresa.

Deram 10 dias para os nossos colegas decidirem se queriam ser demitidos com festinha ou sem festinha.

Cortaram o acesso deles aos sistemas.

E lhes forneceram sacos de lixo para resgatar os seus pertences pessoais em caráter de urgência.

Não bastasse isso, o diretor veio pessoalmente nos mostrar os seus slides provando matematicamente o quanto as demissões dos nossos colegas eram positivas.

E aquilo que foi boato ainda ali no dia 30 de novembro se transformou na terrível mensagem de ano novo da diretoria: batizaram como PAQ – Programa de Adequação de Quadro.

A diretoria diz que o PAQ parou por aqui. O mesmo PAQ que um dia desses era apenas um boato. Quem quiser acreditar, que acredite.

Por que alguém chamaria de programa algo que só tem uma etapa?

Tá nítido que as demissões vão continuar e não se limitarão a 500 pessoas.

Amanhã, poderá ser qualquer um de nós.

Só não vê, quem não quer.

E é por isso que nós dissemos à empresa e à sociedade que estamos em greve: pelo fim das demissões coletivas e sem negociação.

Foi a única resposta que nos sobrou nesse momento.

Se nos calarmos, tudo acontecerá e ainda de forma mais rápida.

Não estamos em greve por 1% a mais de aumento salarial. Estamos em greve simplesmente pela manutenção dos nossos empregos. É agora ou nunca!

E o movimento vai ganhar uma força absurda por todo o país.

Quanto mais juntos estivermos, quanto mais de nós estivermos em greve, mais força o nosso movimento ganha, mais poder de barganha e negociação com a empresa.

Então, quando você estiver trabalhando, e ver a cadeira ao lado vazia, lembre que o seu colega está lá fora tentando defender o emprego de ambos.

O PAQ é o desmonte da Dataprev que facilita demais a privatização, conforme comemorou o próprio Salim Mattar no Twitter.

A greve é a nossa resposta para que o Salim Mattar não diga depois que a sociedade está aceitando bem as privatizações que nem greves mais estão fazendo.

E dia 23/1 também saiu o decreto de inclusão do SERPRO no PND.

O projeto é muito bem orquestrado e executado.

Então, da mesma forma que a assembleia da Dataprev Ceará, Paraíba, e outros inspirou as assembleias no Rio de Janeiro, que a nossa greve possa inspirar o SERPRO, o INSS e demais categorias, além de outros setores da sociedade civil, a protestar contra esse governo a fim de frear, postergar e minimizar os danos futuros do projeto de Estado mínimo que está sendo implantado no país.

Hoje sou eu. Amanhã poderá ser você.

Estejamos juntos!!!

Saiu na mídia – Mattar foi desmentido pela presidente da Dataprev

O site Capital Digital notou uma visível incoerência entre membros do governo atualmente ligados ao destino que Dataprev e Serpro – e os serviços sensíveis de Estado que prestam – terão. Enquanto a presidente da Dataprev escreve para os funcionários da empresa que a demissão de 493 empregados nada tem a ver com o processo de privatização; o secretário Salim Mattar comemora os desligamentos no Twitter como parte integral deste trâmite.

Segundo Luiz Queiroz:

“Passou despercebido por mim ontem, mas hoje, com o dia supostamente mais calmo, deu para refletir sobre as entrelinhas da cartinha que a presidente da Dataprev encaminhou para os funcionários internamente na empresa.

Ela desmentiu o secretário que cuida das privatizações, Salim Mattar. Ao desvincular as demissões dos 493 funcionários das regionais com o processo de privatizações que Mattar vem conduzindo, ela isolou o secretário.

No dia 8 de janeiro Salim Mattar foi para as redes sociais festejar as demissões, alegando que essa, entre outras medidas, ajudaria a melhorar a saúde financeira da empresa para o processo de privatização. Ou seja: o preço de venda. Christiane, por sua vez, negou essa intenção.”

Para ler a matéria e as afirmações divergentes de ambas as partes, clique aqui.

Saiu na mídia – Trabalhadores da Dataprev aprovam greve contra demissões e privatização

A Rede TVT falou sobre a deflagração de greve na Dataprev e ouviu representantes dos trabalhadores sobre os motivos que influenciaram essa decisão, dentre elas a demissão de quase 500 funcionários que poderiam ser realocados para trabalhar nas filas do INSS; e as acusações falsas de Salim Mattar, que acusou empregados de Dataprev e Serpro de vender dados dos cidadãos.

Veja no vídeo a seguir.

Saiu na mídia – Humilhação: Funcionários demitidos da Dataprev saem com pertences em sacos de lixo

A Revista Fórum publicou matéria em que reportou a situação degradante pela qual empregados da Dataprev de Sergipe passaram. Devido à greve deflagrada na unidade regional do estado para protestar contra as demissões planejadas, a diretoria da empresa resolveu adiantar o processo de desligamento dos funcionários e enviou suas equipes para a localidade antes do previsto, no mesmo dia em que a paralisação ocorreria, o que obrigou os trabalhadores a sair do prédio sem tempo para arrumar seus pertences.

Leo Santuchi, presidente da Associação Nacional dos Empregados da Dataprev (Aned), esclareceu a situação e protestou contra a atitude covarde da direção da empresa.

“A greve é uma forma de garantir nosso posto de trabalho. A de Sergipe começaria ontem, mas como teve essa truculência, não foi possível permanecer. Isso tudo num momento em que o INSS tem filas gigantescas. Mas, no meio da crise, contratam militares.”

Para ler a matéria completa, clique aqui.

Saiu na mídia – Já que a ordem é cortar gastos na Dataprev, que tal começarmos pela mamata?

O site Capital Digital fez uma publicação na qual questiona os métodos utilizados pela atual diretoria da Dataprev para enxugar custos. Segundo a matéria, enquanto demitem 500 funcionários da empresa, que têm conhecimento previdenciário, num momento onde as filas do INSS batem recordes, os diretores e seus indicados custam à população brasileira a quantia anual de R$ 22.134.252,40. Desta forma, no mesmo momento em que funcionários concursados e com longa carreira na Dataprev são enxotados, empregados que entraram pela janela continuam a gozar de salários que passam de 20 mil reais.

Como parte de um governo que busca combater a mamata nas estatais, parece ser mais justo, eficiente, e coerente que esses indicados sejam cortados e que a diretoria tenha o seu salário reduzido.

Para ler a matéria, clique aqui.