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banco de dados

Você sabe o que é um banco de dados?

Você pega uma folha de papel e começa a fazer uma lista de compras para ir ao supermercado. Essa folhinha já pode ser considerada um pequeno banco de dados – um conjunto de informações organizadas e relacionadas. E você ainda pode enriquecer o seu pequeno banco de dados com novas informações: quantidades solicitadas, marcas preferidas, preços estimados, possíveis substituições, quem na casa pediu aquele item, entre outras informações. 

A lista de contatos do seu celular também é um banco de dados. Ela representa um conjunto de pessoas e de empresas com as quais você se relaciona, cada uma contando com um conjunto de dados: nome, telefone, foto, redes sociais, tipo de parentesco/relacionamento. E isso hoje tem valor financeiro. Tanto para empresas, quanto para golpistas. No primeiro caso – as empresas – para saber mais sobre você. Já no segundo – os golpistas -,  basta lembrar da infinidade de golpes já criados para roubar a lista de contatos de WhatsApp das pessoas.

Do mesmo modo, quando você faz uma pequena planilha para listar as suas receitas e despesas do mês, você está fazendo um pequeno banco de dados da sua vida financeira. E isso também pode ter muito valor para empresas que querem conhecer o seu perfil de consumo e te vender produtos e serviços.

Ainda nesse sentido, as fotos que você registra no seu celular também são um banco de dados, no caso mais específico, de imagens. Geralmente, registros de momentos públicos, mas também de intimidades que podem te causar problemas, ou constrangimentos, caso caiam nas mãos de terceiros.

Agora imagine o tamanho do banco de dados necessário para um país com 213 milhões de habitantes funcionar. Tecnicamente falando, esse conjunto gigantesco de dados está subdividido fisicamente em dezenas de bancos de dados diferentes.

Sempre que uma pessoa ou uma empresa nasce no Brasil, o governo fica sabendo de tudo: data de nascimento; documentos de identificação (gerados dentro do próprio banco de dados do governo); empregos; salários; dívidas; contribuições à previdência; pagamento de tributos; transações comerciais; vínculos entre pessoas e empresas.

Além disso, o governo federal armazena um conjunto gigantesco de informações para viabilizar o seu próprio funcionamento, sem contar com as informações militares estratégicas para defesa do nosso país.

Esses bancos de dados federais gigantescos foram construídos ao longo das últimas décadas por duas empresas públicas: a Dataprev e o Serpro. As duas buscam garantir a segurança desses dados e a disponibilidade dos mesmos nos lugares devidos, e somente neles. 

Contudo, o governo federal resolveu que vender essas empresas, e a administração do grande banco de dados do Brasil, pode ser uma boa ideia. Essa é uma operação tão arriscada, segundo especialistas, que foi necessário contratar uma empresa apenas para estimar quanto valem esses dados e por quanto o governo poderá vendê-los.

Os riscos dessa operação se dão principalmente porque de posse desse banco de dados, uma empresa privada poderá até mesmo usar algoritmos para estudar tendências da população brasileira, bem como discriminar cidadãos do pais, conforme explicamos num artigo anterior.

Sabe aquelas fotos especiais que você registrou no seu celular? Agora imagine alguém tentando vender essas fotos na Internet sem o seu consentimento. É isso o que o Brasil está vivendo hoje com a possibilidade de desestatização da Dataprev e o Serpro.

*Renata Vilela, jornalista, escreve especialmente para a Campanha Salve Seus Dados; Paulo de Tarso Gregorio Pereira é analista de sistemas na Dataprev , cientista da Computação pela UECE com MBA em Gerência de Projetos pela FGV.

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