O Correio da Manhã postou notícia na qual relaciona os problemas com a distribuição de água que os habitantes do Rio de Janeiro têm enfrentado com o desmonte promovido na CEDAE, empresa que está nos planos de privatização do governo estadual. De certa forma, esta é uma relação de causa e efeito semelhante à observada atualmente no INSS e na Dataprev, instituições que enfrentam o desafio de atualizar dezenas de sistemas para que estes se adéquem à reforma da previdência mas que, ao mesmo tempo, são enxugados ou têm seus funcionários demitidos pela administração pública federal.
No caso da CEDAE, o problema com a qualidade da água advém da recente exoneração de mais de 30 funcionários que são técnicos desta área:
“Fato
inédito há pelo menos 19 anos no Grande Rio, o episódio expôs o
desmonte promovido pelo governo Wilson Witzel na companhia de
saneamento, sob influência do Pastor Everaldo, presidente do PSC,
partido do governador. Em março de 2019, 54 profissionais de nível
superior, sendo 39 engenheiros responsáveis pela qualidade da água
distribuída pela Cedae, foram exonerados. Todos com mais de duas
décadas na empresa.”
Muitos destes profissionais tinham décadas de experiência na
companhia e possuíam conhecimentos que seriam críticos para lidar
com, ou evitar totalmente, a crise instaurada:
“Funcionários com décadas e décadas de experiência
deixaram a empresa em 2019. Caso do gerente de Controle de Qualidade,
José Roberto Dantas; de Álvaro Henrique Verocai, responsável pela
distribuição; de Octavio Legg Neto, chefe de manutenção da ETA
Guandu e único engenheiro mecânico da estação; e de Edes
Oliveira, diretor de Operação e Grande Produção. Todos tidos como
profissionais gabaritados e fundamentais para lidar com momentos de
crise.”
O episódio demonstra que, na sua sede
por privatizar estatais, os governos promovem desmontes consideráveis
que acabam por afetar a qualidade do serviço que elas prestam. Se
por um lado essas medidas são puramente negativas para a população,
que sofre com o descaso e a irresponsabilidade dos gestores; por
outro, ela traz ganhos para o poder executivo que, com as falhas
atribuídas a essas empresas, vê crescer as chances de conquistar o
apoio popular e parlamentar necessário para conseguir entregar
serviços de natureza estatal para o capital privado.
Para ler a reportagem completa, acesse o link https://www.jornalcorreiodamanha.com.br/rio/506-agua-suja-desmonte-as-claras