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Saiu na mídia – Amazon, Vivo e a comercialização de dados dos usuários

Um par de notícias veiculadas recentemente na mídia suportam três argumentos empregados em nossa campanha contra a privatização de Dataprev e Serpro: o de que empresas privadas tendem a explorar os dados que possuem, por mais críticos e sensíveis que sejam, para maximizar os seus lucros; o de que multas, por mais altas que sejam, não coíbem tais práticas, uma vez que o dinheiro obtido com esse mau uso tende a superar os valores cobrados sobre infrações; e o de que o processo de tornar os dados anônimos não impede a identificação dos indivíduos a quem pertencem. Publicadas, respectivamente, pelo Tecnoblog e pelo The Intercept Brasil, estes artigos mostram como a Amazon e a Vivo tiraram proveito dos dados que hospedam. A primeira para obter vantagens competitivas, ferindo assim a existência do livre mercado; e a segunda para lucrar com a venda das informações dos usuários.

Sobre a Amazon, o Tecnoblog detalha uma prática na qual a companhia americana usava dados de produtos disponíveis em seu marketplace – que oferta bens vendidos por usuários e outras empresas – para criar produtos próprios e explorar novos segmentos de acordo com a tendência do comércio eletrônico.

Segundo o Wall Street Journal, funcionários da Amazon usaram dados de vendedores independentes no site da companhia para saber quais produtos garantiriam mais lucro. A informação foi confirmada por 20 ex-funcionários e um funcionário da empresa, além de documentos. Todos indicam que a companhia aproveitou as informações do marketplace para criar novos produtos, definir preços e planejar a expansão para outros segmentos. O problema é que, além de oferecer uma vantagem indevida, a prática viola as políticas da empresa.”

Já a respeito da Vivo, o The Intercept obteve uma planilha de dados vendidos pela empresa. Apesar da Vivo ter, corretamente, feito a venda de dados somente após anonimizar as informações (ou seja, remover a identificação de a qual pessoa aqueles dados pertencem), o The Intercept conseguiu utilizar as informações para identificar os dois indivíduos cujos celulares haviam gerado os dados.

A planilha com as movimentações de abril de 2016, disponível no site da Setur, tem informações pessoais de milhares de pessoas não identificadas. Mas, se combinadas e cruzadas com outras bases, esse monte de informações permite que se chegue a perfis bem específicos. E, assim, a pessoas específicas também. Como Rocha.”

Em particular, a matéria feita pelo The Intercept derruba um dos principais argumentos do governo em sua defesa da venda de Dataprev e Serpro. O Ministério da Economia utiliza a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) para argumentar que os dados sociais e financeiros das empresas brasileiras e dos cidadãos do país estarão seguros nas mãos de empresas privadas, já que – segundo um artigo da lei – as informações só poderão ser vendidas após o processo de anonimização.

Entretanto, como posto por nossa campanha contra a privatização e como provado no artigo, a anonimização nada garante, e os locais mais seguros para os dados hoje em dia guardados por Dataprev e Serpro são justamente onde eles já estão: os Data Centers destas empresas, que – como companhias públicas – não visam maximização de lucro e não comercializam as informações que possuem, apesar destas serem verdadeiras minas de ouro que estão na mira de diversos atores do mercado interno, externo, e da política internacional.

Para ler a matéria do Tecnoblog sobre a Amazon, clique aqui.

Para ler a matéria do The Intercept sobre a Amazon, clique aqui.

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